O EFEITO DO ESTRESSE PSICOLÓGICO NAS PESSOAS
O estresse é uma resposta física do nosso organismo a um estímulo. Quando o corpo pensa que está sob ataque, por defesa, muda para o modo “lutar ou fugir”, liberando uma mistura de hormônios e substâncias químicas como adrenalina e cortisol que prepara o corpo para uma ação física. Se precisar fugir esses hormônios ajudarão a desviar sangue para os músculos, por exemplo. O problema é quando nosso corpo entra nesse estado em situações inadequadas e por tempo prolongado. Segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde, o estresse já é considerado como doença.



Existem três tipos de estresse
O mais comum ocorre pela reação do organismo frente a um novo desafio e diante de notícias inesperadas como o recebimento de uma notícia ruim, brigas ou acidentes, por exemplo. Geralmente são episódios isolados que não tem efeito persistente no organismo. Em casos de eventos traumáticos, como o estresse sofrido por uma vítima de um crime, acidente grave ou situação potencialmente fatal, ocorre um risco do desenvolvimento de um quadro psiquiátrico chamado transtorno de estresse pós-traumático.
a) Estresse Agudo Episódico
Ocorre com frequência, a pessoa tem crises nervosas praticamente todos os dias e submete seu próprio corpo ao estresse agudo episódico. São pessoas pessimistas e meio persecutórias, sempre veem o lado negativo das coisas. Algumas pessoas podem sentir os sintomas do estresse agudo com mais frequência do que outras, costumam ficar muito irritadas com elas mesmas ou com o ambiente ao seu redor, passam a ser mais pessimista em situações cotidianas, sempre vendo o que pode dar errado. Todo esse quadro é muito nocivo pra a saúde, as pessoas se acostumam como parte das suas vida e acabam “somatizando” e desenvolvendo quadros de gastrite, úlcera e outras doenças.
b) Estresse Crônico
Ocorre com constância, se torna persistente e prolongado por grandes períodos de tempo. Decorre de experiências traumáticas na primeira infância, que são internalizadas e permanecem dolorosas e presentes. Essas experiências podem afetar a personalidade, a visão de mundo, a crença, causando estresse sem fim para o indivíduo que se acostuma com se fizesse parte dele.
c) Reações do estresse: são várias as reações e sensações diante do estresse que afetam o corpo e a mente, por exemplo: mãos suadas diante de um primeiro encontro, entrevista de emprego, apresentação em público, coração batendo acelerado diante de um filme de terror. Nossos antepassados para se protegerem de predadores e outras ameaças a suas vidas diante do perigo, tiveram reações automáticas. O corpo entrou em ação, inundando a corrente sanguínea com hormônios que elevaram a frequência cardíaca. Aumentou a pressão arterial e a energia, preparando o indivíduo para lidar com o problema. Hoje não é diferente, conviver com vários desafios diariamente; cumprimento de prazos, pagamento de contas, relacionamentos complicados, preocupações com violência e segurança, esforços para conciliar carreira e família. Tudo isso faz o indivíduo passar pelo estresse da mesma forma como nossos antepassados, só muda o cenário.
Mesmo o estresse de curta duração tem um impacto significativo. Por exemplo: sentir uma queimação de estômago antes de fazer uma apresentação em público. Doses de estresse agudo, causadas por uma briga com o cônjuge, enchentes, acidentes ou um sequestro relâmpago. Estudos mostram que essas tensões emocionais repentinas, como a raiva por exemplo, podem desencadear ataques cardíacos, arritmias e até morte súbita. Algumas pessoas desconhecem que tem algum problema cardíaco até que o stress agudo culmine em um princípio de infarto. Quanto mais tempo dura o estresse, pior é para a saúde mental e física. Você pode se sentir cansado, incapaz de se concentrar ou irritável sem uma aparente razão, por exemplo. A tensão de trabalho está associada ao aumento do risco de doença coronariana. A depressão e baixos níveis de apoio social também têm sido relacionadas ao aumento do risco cardiovascular, uma vez doente compromete a imunidade da pessoa pode se tornar mais difícil a recuperação.
Nos últimos anos, a crise econômica mundial afetou o Brasil e o cenário econômico e de trabalho mudou para pior. O aumento do desemprego, ou a perda, a ansiedade, a pressão para mantê-lo. O excesso de trabalho e a preocupação demasiada traz consequências sérias para a saúde das pessoas, o cenário já é um agente estressor. Aparecem doenças como a Síndrome de Burnout, por exemplo. Uma pesquisa diz que o excesso de estresse relacionado ao trabalho tem sintomas similares aos da depressão e afeta cerca de 32% da população brasileira, sendo que 72% dos brasileiros que estão no mercado de trabalho sofrem alguma sequela ocasionada pelo estresse, desse total, 32% sofreriam de Burnout e 92% das pessoas com a síndrome continuariam trabalhando. Caracterizada pelo auto nível de estresse e sensações negativas como de exaustão, incapacidade, ceticismo, insuficiência e ineficácia, a síndrome possui sintomas muito semelhantes aos da depressão, podendo muitas vezes ser tratada com antidepressivos mas se diferencia da doença por estar sempre relacionada a questões de trabalho.
Os sintomas e sinais do estresse podem ser Cognitivos, ocasionando problemas de memória, esquecimentos das atividades que precisavam ser feitas; dificuldade de manter-se concentrado; agitação, inquietação, pensamentos acelerados ; preocupação excessiva e constante; pessimismo, visão distorcida da realidade, visão somente do lado negativo das coisas.
Sintomas físicos incluem dor de cabeça constante, enxaqueca, dores musculares e tensão nos ombros, Alterações no sistema gastrointestinal, diarreia, constipação, mal estar no abdômen, azia, queimação no estômago, Gastrite (sintoma físico muito comum de estresse); náuseas, tonturas; dores no peito, batimento cardíaco acelerado (arritmia); queda na imunidade, por exemplo, ficar resfriado constantemente; se sentir sempre cansado; perda de libido. No estresse emocional ocorrem alterações no humo, mau humor mais frequente; irritabilidade, a pessoa explode por qualquer motivo e com qualquer pessoa; dificuldade para relaxar; sensação de sobrecarga; sentimento de solidão; isolamento social; infelicidade, choro fácil e depressão.
O que fazer para amenizar todo esse estresse? Deve-se reduzir os níveis de estresse para proteger a saúde física e mental a longo prazo. Um estudo de pesquisadores observaram a associação entre “afeto positivo” (relacionado a sentimentos de felicidade, alegria, contentamento e entusiasmo) e o desenvolvimento da doença cardíaca coronariana ao longo de dez anos. Descobriram que, para o aumento de um ponto em afeto positivo (usando uma escala de cinco pontos), ocorria uma redução da taxa de doença cardíaca em 22%. Embora o estudo não comprove que o aumento da felicidade diminua os riscos de estresse e doenças cardiovasculares, os pesquisadores recomendam impulsionar o sentimento de alegria. Deve-se procurar fazer um pouco de atividades agradáveis todos os dias. Eles explicaram as causas, efeitos, sintomas e características da doença como: início de dores pelo corpo, alterações no sono, descontrole na alimentação perda de peso entre outros. Médicos recomendam, a pessoa não se auto medicar, nem fazer uso de drogas porque pode agravar o estado psicológico. O tratamento, quando o estresse se encontra num nível elevado, deve ser acompanhado por médico psiquiatra que poderá medicar. Buscar um psicólogo e fazer psicoterapia para tratar as causas emocionais e o histórico de vida do paciente que desencadeiam o estresse. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, mais rápido o paciente conseguirá se recuperar e retomar sua rotina, mas é importante que o mesmo esteja disposto a reavaliar seu estilo de vida e fazer determinadas mudanças quando necessário, para preservar sua saúde mental. É um conjunto de medidas, físicas, psicológicas e inclusive espiritual que vai devolver a qualidade de vida ao paciente.